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02.07.2007

Grupo pernambucano vai exportar etanol para o Japão

O Grupo Farias deverá ser a primeira empresa brasileira a exportar etanol através de ETBE (Éter Etílico Tercbutílico), foi o que revelou o presidente do Grupo Pernambucano, Eduardo Farias, durante o III Fórum de Energia realizado pela Amcham-Recife, na tarde da última terça-feira (26/06).

“A escolha por uma empresa brasileira aconteceu devido a experiência que os grupos da região possuem no desenvolvimento do etanol e, especificamente, por causa da infra-estrutura já pronta para a fabricação do ETBE”, explicou ele durante o encontro que abordou os investimentos na produção de etanol no Nordeste e como o mercado da região participará deste movimento.

De acordo com Farias, o contrato para o fornecimento será firmado na próxima sexta-feira (29/06) e em menos de dois meses a empresa exportará cerca de 300 milhões de litros de etanol por ano ao Japão. O combustível servirá como alternativa à mistura na gasolina. O acordo renderá um valor de no mínimo R$ 300 milhões.

O presidente do grupo disse ainda que a produção do aditivo poderá ser feita em qualquer estado brasileiro, mas Pernambuco está com uma vantagem perante os outros estados por causa da infra-estrutura e logística possui. “Se tivéssemos um incentivo por parte do Governo do Estado, certamente poderíamos trazer uma refinaria de ETBE para Pernambuco”, comentou.

Parceria com estatal chinesa


"O grupo exportarará cerca de 300 milhões de litros de etanol, por ano, para ao Japão"
Outra revelação feita por Farias durante o Fórum é que o grupo pernambucano, que já atua há mais de 40 anos na área sucroalcooleiro, está para fechar uma parceria com a empresa estatal chinesa BBCA Bioquímica, da província de Anhui, para abrir duas usinas de álcool no Brasil.

As duas usinas deverão ser construídas no Maranhão e devem entrar em funcionamento entre 2009 e 2010. A produção inicial será de 800 milhões de litros de etanol por safra, podendo chegar a 1 bilhão de litros por safra.

O custo das usinas será de aproximadamente US$ 200 milhões (R$ 390 milhões) e cada operação terá capacidade de processamento de 5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, com produção de 400 a 500 milhões de litro de etanol por safra.

Entraves na produção

Embora soem animadoras as negociações das empresas brasileiras, o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, afirma que o Brasil e, especificamente, o Nordeste poderia aproveitar melhor a corrida energética mundial. “É preciso investir ainda na logística desta região e na formação de mão-de-obra no setor, como engenheiros elétricos e outros tipos de profissionais”.


"Com o projeto a produção de cana não vai mais depender tanto do clima da região"
Mas, segundo Cunha, embora existam algumas coisas pendentes na logística da região outros importantes passos já estão sendo tomados para o desenvolvimento do mercado de etanol no nordeste, como o Canal do Sertão, que levará água irrigada desde o oeste pernambucano até as bordas do Lago Sobradinho, na Bahia. “Com este investimento, o Nordeste vai pode aumentar sua área de produção de cana-de-açúcar em cerca de 500 quilômetros, que é área que pretende atingir o projeto”.

De acordo com Plínio Nastari, presidente da maior consultoria de etanol no país a Datagro, o Canal do Sertão também irá representar uma independência dos produtores de cana-de-açúcar, que tinha suas safras atreladas ao clima da região. “Com esse projeto de irrigação, a produção de cana do Nordeste não vai mais depende tanto do clima da região, que constantemente sofre com períodos de longas secas. Além disso, o projeto representa um incentivo a produção de álcool no Vale do São Francisco.

Um dos principais parceiros do projeto é a Petrobras, que está negociando com investidores estrangeiros o financiamento da construção do Canal, que deverá absorver investimentos da ordem de R$ 2 bilhões. A estimativa é que, com irrigação, a região possa atingir uma produção de vinte milhões de toneladas de cana a mais por ano.

Reportagem de Dirceu Pinto

AMCHAM - Câmara Americana