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25.09.2007

Lula defende na ONU idéia do etanol sustentável

Por Walter Brandimarte e Marcelo Teixeira

NAÇÕES UNIDAS/SÃO PAULO, 25 de setembro (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu em discurso na abertura da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas a viabilidade de uma produção em grande escala de biocombustíveis, que seria compatível com a segurança alimentar e com a preservação do meio ambiente.

Reagindo a vários setores que questionam a sustentabilidade de um novo modelo energético baseado em aumentos maciços na produção de biocombustíveis feitos com grãos e oleaginosas, Lula afirmou que a experiência brasileira de algumas décadas com o álcool de cana-de-açúcar mostra que não há ameaça.

"O problema da fome no planeta não decorre da falta de alimentos, mas da falta de renda que golpeia quase um bilhão de homens, mulheres e crianças. É plenamente possível combinar biocombustíveis, preservação ambiental e produção de alimentos", afirmou.

Segundo ele, o Brasil vai desenvolver um "zoneamento agro-ecológico" definindo onde poderão ser cultivadas lavouras destinadas à produção de biocombustíveis, com o objetivo de preservar áreas de florestas.

Lula afirmou que o biocombustível brasileiro (álcool, biodiesel) negociado no mercado internacional terá um selo garantindo respeito sócio-ambiental.

"Daremos à produção de biocombustíveis todas as garantias sociais e ambientais", afirmou Lula a uma platéia composta basicamente de chefes de Estado.

A idéia de um grande aumento na produção global de biocombustíveis, como forma de substituir o uso de recursos fósseis altamente poluentes como o petróleo, tem sofrido críticas principalmente relacionadas ao uso de alimentos como matéria-prima.

Em todo o hemisfério norte a produção de biodiesel e de etanol é realizada com o processamento de cereais como trigo, milho e cevada, e de oleaginosas como colza.

No início deste mês, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgou estudo afirmando que os biocombustíveis podem se tornar "um remédio pior que a doença".

Segundo a entidade, a produção em grande escala de combustíveis como etanol pode elevar substancialmente os preços dos alimentos e prejudicar o meio ambiente, em vez de protegê-lo, por causa do consumo maior de defensivos agrícolas. A OCDE também disse temer a destruição de microssistemas pelo aumento das áreas de cultivo.

Lula, no entanto, defendeu que a produção de etanol será sustentável o bastante para integrar sem riscos uma nova matriz energética global.

"Eles (biocombustíveis) reduzem significativamente as emissões de gases do efeito estufa. No Brasil, com utilização crescente e cada vez mais eficaz do etanol, evitou-se nestes 30 últimos anos a emissão de 644 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera", afirmou.

O presidente acrescentou que o Brasil pretende organizar uma conferência internacional sobre biocombustíveis em 2008, para discutir a cooperação mundial no setor. Lula convidou os países presentes à assembléia da ONU para participar do evento.

Ainda no discurso, o presidente voltou a criticar os subsídios agrícolas em países ricos, que ele classificou de "exorbitantes e inaceitáveis", mas afirmou que o Brasil "não poupará esforços" para que um acordo seja alcançado na Rodada de Doha de negociações comerciais.

REUTERS